- METAL CONTRA AS NUVENS -


"Charlotte Gray" (Sebastian Faulks)

"(...) Em 1942, Charlotte Gray, uma jovem escocesa, parte para a França Ocupada, numa dupla missão - oficialmente, para cumprir uma aparentemente simples incumbência do grupo de operações especiais britânico, e não oficialmente, à procura do seu amor, um piloto inglês desaparecido em combate. À medida que a população da pequena localidade de Lavaurette se prepara para enfrentar o seu terrível destino, a dilacerante verdade sobre o que aconteceu nos "Anos Negros" é finalmente revelada (...)".

Só posso dizer duas coisas: a primeira é leiam... é envolvente, cativante! Sebastian Faulks consegue mesclar os eventos históricos e a trama da personagem com maestria. Depois assistam ao filme, que conta com a Cate Blanchett (maravilhosa!) no elenco. A segunda: obrigada pela indicação e pelo empréstimo do livro, Pati. Adoro você! 

 



Escrito por Roberta Atisano às 13h12
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Um homem de família

Ontem redescobri uma das razões que fazem do meu marido um homem especial, um homem de família. Depois de me buscar na Pós, o que ele faz todas as segundas e quartas-feiras, e de já ter deixado o Elias pronto pra dormir, fomos ao Cemitério da Vila Pires, em Santo André, por conta do falecimento do pai de um amigo muito querido; mas, como o corpo ainda não tinha sido liberado para o velório, voltamos pra casa. Já chegando, isso prá lá das onze horas da noite, em um dos semáforos da Avenida dos Estados, um casal jovem, com uma criança de não mais de três aninhos nos braços, e aparentemente bastante desesperado, nos pediu, não dinheiro, mas um litro de leite, porque, por conta de algum problema com a energia elétrica (não conseguimos entender direito porque o rapaz estava muito nervoso), haviam perdido tudo o que tinham, e, enquanto estavam ali, seu casal de gêmeos (ainda bebês) estavam com vizinhos. O rapaz pedia incessantemente para a moça ir ficar com os bebês; ela chorava. Como estávamos no carro, voltando pra casa, depois das onze horas da noite, e, óbvio, sem leite, demos R$.2,00 (dois reais) ao rapaz, que agradeceu emocionado enquanto os carros atrás de nós buzinavam para que atravessássemos o semáforo, já aberto. Seguimos nosso caminho, e comentávamos sobre aqueles que pedem sem necessidade ou inventam estórias, e sobre como é difícil identificar essas pessoas, de sorte que chegamos à conclusão de que, dada a "ajuda" ("esmola" é um termo terrível!), só resta a quem ajudou esperar, e torcer, para que sua atitude não tenha levado um garotinho de oito anos a comprar uma pedrinha de crack, por exemplo... Mas o Márcio estava preocupado com outra coisa, que sequer tinha passado pela minha cabeça: eram mais de onze horas da noite! Aonde aquele casal conseguiria comprar leite para os seus bebês?! Tentei argumentar com ele, dizendo que algumas padarias/bares/botecos/mercadinhos e afins, ficam abertos até à meia-noite. Mas não adiantou. Então, entramos na garagem do condomínio, ele desceu, buscou dois litros de leite em casa e, acreditem ou não, voltou pro carro pra tentar achar o casal e entregar o leite. Estávamos quase certos de que eles não estariam mais lá, mas ainda assim voltamos ao semáforo da Avenida dos Estados onde fomos interpelados pelos mesmos. De fato, o casal não estava mais lá, e os dois litros de leite acabaram voltando pra casa, mas o fato do Márcio ter entrado em casa, pego os litros de leite, e saído de novo atrás dos dois, já depois das onze e meia da noite, preocupado em COMO ELES CONSEGUIRIAM ALIMENTAR AQUELAS CRIANÇAS, foi o bastante pra me fazer relembrar uma das qualidades que fazem dele o ser humano especial que ele é: a generosidade; que se sobrepõe à porrada de defeitos que, como todos nós, ele também tem, mas que também faz com que eu o admire e me orgulhe dele ainda mais!

Se mais pessoas fossem assim, e não conseguissem lançar o olhar tão somente pro que têm em volta do próprio umbigo, com certeza viveríamos num mundo muito melhor!

 

 



Escrito por Roberta Atisano às 16h16
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Balanço final

E, finalmente, acabaram os Jogos Olímpicos. E em festa. Em um show de luzes, cores, música e desigualdade social. Apenas os chineses ricos tiveram acesso aos jogos e às comemorações que marcaram o início e o fim das Olimpíadas 2008. Nas ruas, os telões foram proibidos. Na TV, as imagens editadas. Nas ruas, o povo foi proibido de se manifestar em torcidas, a não ser que pedissem permissão para tanto... O governo chinês limitou as declarações da imprensa, proibiu qualquer manifestação de luto por parte dos atletas espanhóis (em virtude da recente tragédia aérea que matou mais de 150 (cento e cinqüenta) pessoas), e pior, tirou o povo das ruas, tirando-lhe assim, o direito de vibrar pelo seu país, pela sua bandeira, o direito de torcer pelos seus atletas e de ver, ainda que de longe, a arquitetura monumental e ostensiva das construções olímpicas, como o "Ninho dos Pássaros" e o "Cubo d´Água", realizadas, aliás, com o dinheiro que o regime trabalhista (quase escravocrata) que é imposto pelo governo chinês arrecada diariamente.

A China foi a campeã no quadro de medalhas, superando os Estados Unidos, mas, na minha modesta opinião, também foi campeã no quesito OPRESSÃO. E um povo oprimido, escravizado, encoberto por tecnologia e shows pirotécnicos, não é um povo feliz!

Não ganhamos tantas medalhas quanto gostaríamos, e concordo com quem disse que a maioria dos nossos atletas foi a Pequim fazer turismo, mas vibramos com cada uma delas, seja de bronze, prata ou ouro! Choramos com o Cesar Cielo e com a Maureen Maggi, e também com as meninas do vôlei, não só pelo ouro, mas pela superação, pela gana de vencer os próprios desafios... acordamos de madrugada pra ver os meninos perderem dos Estados Unidos, mas esperamos também pra ver a entrega da medalha de prata, merecida! E não critiquem os que acham que apenas o lugar mais alto do pódium vale alguma coisa... quando jogadas pela primeira vez, as Olimpíadas premiavam seus vencedores com ramos de louro, e não com metais preciosos... seu objetivo era celebrar e reverenciar os Deuses do Olimpo, e apenas atletas amadores participavam de tal celebração...

Vencer é bom, na verdade é ótimo, mas não pensemos apenas na cor das medalhas que ganhamos ou deixamos de ganhar; esse não é o espírito olímpico. Pensemos como a pequena Sophia (filhinha da Maureen Maggi): "Mamãe, mas eu queria a de prata"...



Escrito por Roberta Atisano às 18h37
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