Pai(s) - uma homenagem no seu dia
Ontem foi Dia dos Pais. Apesar da minha mãe sempre dizer que Dia dos Pais (ou das Mães) é todo dia, acho bacana lembrar disso pelo menos uma vez por ano, como no nosso aniversário... ficamos mais velhos todos os dias, mas deixamos pra comemorar nossa existência apenas uma vez ao longo de trezentos e sessenta e cinco dias... Data comercial ou não, fui almoçar com o meu pai, e passei a tarde lá com ele; comprei um presente (mesmo ele reclamando todo ano do dinheiro que a gente gasta) e minha mãe fez a sobremesa que ele gosta! Fiquei pensando... existem PAIS e pais. Eu, felizmente, tenho um PAI, daqueles que, mesmo depois dos trinta, a gente pode sentar no colo; daqueles que deixam de fazer por ele pra fazer pelos filhos. Sabem, mesmo casada, vejo meu pai todos os dias... ele me apanha na estação de trem e me leva pra casa, depois de ter ficado com o Elias; como trabalho e comecei a fazer especialização, meu pai, dia sim, dia não, pega minha roupa pra lavar... ele pintava o teto do meu banheiro quando o vapor começava a deixar ele escuro (agora mandamos colocar um teto de pvc no banheiro e ele não precisa mais ser pintado). Brigo com ele porque ele fuma demais, e ele briga comigo porque estou sempre mau humorada... eu grito, ele fala alto, eu me arrependo, choro, ele chora, me abraça, me chama de "bobinha", fala que o "papai" não ficou bravo e a gente faz as pazes... rs. Sou mimada mesmo, ele sempre me mimou, sempre me deu, na medida do possível, tudo o que eu quis... custeou minha faculdade, mesmo quando eu trabalhava (pra ele era uma obrigação), chorou na minha formatura, ficou do meu lado quando eu terminei o namoro (e ficou do meu lado também quando eu reatei), chorou no meu casamento, quando eu saí de casa e quando o Elias chegou... me levava às entrevistas de emprego, me ensinou a andar de tróleibus, de trem e de metrô, e a andar no centro de São Paulo... Quando eu era criança, de uns sete ou oito anos, ficava sentada na porta do banheiro, vendo ele fazer a barba, com aquele pincel e lâmina antigos, e perguntando as capitais ao redor do mundo... ele sabia todas, e eu achava que ele era o homem mais inteligente que eu conhecia... quando eu precisava fazer algum trabalho de história ou de geografia, sequer olhava pros livros, sentava com o meu pai e ia anotando tudo o que ele me falava... Fui crescendo e achando que ele não era tão inteligente assim; afinal, ele não sabia manejar um computador, nem um celular, não sabe o que é um MP3, e ainda acha que som portátil se resume a um walkman... Mas sou o que sou graças ao meu PAI, e sim, hoje acho novamente que ele é, talvez não o mais, e não o único, mas um dos homens mais inteligentes que eu conheci, e eu rendo a ele todas as minhas homenagens... TE AMO, PAI. 
Escrito por Roberta Atisano às 09h37
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