"(...) Antônia acreditava que as músicas eram feitas para que nos encaixássemos nelas (...). (...) Faz parte do desafio encontrar a canção certa para o momento certo, e às vezes se começa pelo momento, outras vezes pela própria canção, como se a canção pudesse expandir-se e encarregar-se de construir tudo o que há em volta dela (...)" - Carol Bensimon, "Sinuca embaixo d´água".
A minha relação com a música é delicada. Não porque eu toque alguma coisa, ou seja uma grande entendida do assunto, como são (ou pretendem ser) algumas pessoas que conheço. Nada disso! A minha relação com a música é, e sempre foi, delicada, porque eu não consigo ficar muito tempo sem ela! Eu vou pro trabalho ouvindo música, eu trabalho ouvindo música, eu volto pra casa ouvindo música, eu cozinho e estudo ouvindo música. Pra mim é difícil entrar no carro e não ligar o rádio, ou o MP3, ou o celular mesmo. E, às vezes, determinada música me toma de assalto, não sei bem se pela letra, não sei se pela melodia, ou se pelos dois, mas me toma de um jeito que me obriga a ouvi-la repetidas e incontáveis vezes, até que ela me remeta pra alguma história, alguma lembrança, ou ainda pra um recanto vazio na minha cabeça, se não existirem histórias ou lembranças com as quais ela possa se associar... É uma sensação diferente daquela que você tem quando ouve uma canção cuja letra se "encaixa" na sua vida ou num certo momento dela, parecendo que a letra foi escrita pra (ou por) você... não é bem isso, mas é tão marcante quanto... emocionante até...
Pedi pra uma amiga encher um dos meus MP3 com as músicas que ela gosta (faço muito isso), e assim ela fez... entre o cantar rasgado da Amy Winehouse e o jazz meio melancólico (pra mim) do Chat Baker, estava a música "Aqui", da Ana Carolina, que me causou a sensação estranha que eu tentei descrever...